
Uma semente engravidava a tarde.
Era o dia nascendo, em vez da noite
Perdia amor seu hálito covarde,
e a vida, corcel rubro, dava um coice,
mas tão delicioso, que a ferida
no peito transtornado, aceso em festa,
acordava, gravura enlouquecida,
sobre o tempo sem caule, uma promessa.
A manhã sempre sempre, e dociastuto
seus caçadores a correr, e as presas
num feliz entregar-se, entre soluços
E que mais, vida eterna, me planejas?
0 que se desatou num só momento
não cabe no infinito, e é fuga e vento
Carlos Drummond de Andrade
Oiee!!
ResponderExcluirQue bela garimpagem! Aplausoss...
Grande abraço
Paty
Viva!
ResponderExcluirEsse livro foi um achado(obras completas, 30 pila na livraria da Vila)!!
Agora ele não sai do sofá, da cama...está em todos os lados!!