segunda-feira, 19 de abril de 2010

Instante


Uma semente engravidava a tarde.
Era o dia nascendo, em vez da noite
Perdia amor seu hálito covarde,
e a vida, corcel rubro, dava um coice,


mas tão delicioso, que a ferida
no peito transtornado, aceso em festa,
acordava, gravura enlouquecida,
sobre o tempo sem caule, uma promessa.


A manhã sempre sempre, e dociastuto
seus caçadores a correr, e as presas
num feliz entregar-se, entre soluços


E que mais, vida eterna, me planejas?
0 que se desatou num só momento
não cabe no infinito, e é fuga e vento

Carlos Drummond de Andrade

2 comentários:

  1. Oiee!!

    Que bela garimpagem! Aplausoss...

    Grande abraço

    Paty

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  2. Viva!
    Esse livro foi um achado(obras completas, 30 pila na livraria da Vila)!!
    Agora ele não sai do sofá, da cama...está em todos os lados!!

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